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Relembre os representantes do Sul do Rio de Janeiro na história das Copas do Mundo

Cinco jogadores da região já vestiram a amarelinha para defender o Brasil na maior competição de futebol do planeta

Jogadores do Sul do Rio de Janeiro que já disputaram a Copa do Mundo
Jogadores do Sul do Rio de Janeiro que já disputaram a Copa do Mundo

Qualquer jogador de futebol do país, desde garoto, já sonhou em vestir a amarelinha e defender a seleção brasileira em uma Copa do Mundo. Esse sonho já foi realizado por cinco jogadores nascidos no Sul do Rio de Janeiro.

A relação da região com a competição da Fifa começou em 1950, uma edição um tanto quanto amarga para os brasileiros. Naquele ano, o Brasil sediava o Mundial pela primeira vez e acabou sendo derrotado na final para o Uruguai em pleno Maracanã.

Desde então, quatro municípios enviaram representantes: Barra do Piraí, Paracambi, Quatis (enquanto ainda pertencia a Barra Mansa) e Volta Redonda.

Alguns desses jogadores nem chegaram a atuar por equipes da região e pouco são lembrados pelo torcedor local. Por isso, o ge vai recordar quem são eles e contar a história de cada um.

Nas edições em que os "nossos" jogadores disputaram (1950, 1954, 1986, 2010 e 2014), o Brasil não se sagrou campeão, ou seja, nenhum deles tiveram a felicidade de levantar a taça mais cobiçada do futebol.

Relembre os representantes do Sul do Rio em Copas do Mundo:

Ely do Amparo (Paracambi) - Copas de 1950 e 1954

Ely do amparo disputou duas Copas do Mundo, em 1950 e 1954 — Foto: Arquivo pessoal
Ely do amparo disputou duas Copas do Mundo, em 1950 e 1954 — Foto: Arquivo pessoal

Volante e lateral com carreira memorável vestindo a camisa do Vasco, Ely foi convocado para duas Copas do Mundo, mas só entrou em campo em uma única ocasião — na vitória por 4 a 0 sobre o México, primeiro jogo da Copa de 50. Em 54, na Suíça, não jogou.

Vale destacar que, na época, não havia a possibilidade de fazer substituições e quem começava na reserva, ali permanecia.

Ely foi um dos principais nomes do chamado "Expresso da Vitória" do Vasco, na década de 40, conquistando títulos pelo cruz-maltino. Na seleção, foi reserva de Bauer, outra grande lenda do futebol brasileiro – para o azar de Ely.

Há quem diga que, naquele desastre do "Maracanazo", Ely do Amparo, ao lado de Nilton Santos, foi uma das ausências mais questionadas pelo torcedor brasileiro, principalmente pela raça que demonstrava em campo, que poderia ter feito a diferença. Ele faleceu em 1991.

Jair (Quatis/Barra Mansa) - Copa de 1950

Jair da Rosa Pinto foi titular em quase toda a Copa de 1950 — Foto: Arquivo
Jair da Rosa Pinto foi titular em quase toda a Copa de 1950 — Foto: Arquivo

Se Ely do Amparo testemunhou o "Maracanazo" de fora do campo, Jair da Rosa Pinto – ou só Jair – viu de dentro das quatro linhas um dos maiores desastres da Seleção Brasileira.

Jair tem forte ligação com dois municípios da região: Quatis e Barra Mansa. Ele nasceu onde Quatis se localiza, mas o município pertencia à Barra Mansa até a década de 90, antes de se emancipar. Por isso, ele era apelidado "Jajá de Barra Mansa".

Titular da seleção brasileira, o meia esteve presente em quase todos os jogos da Copa de 1950, com exceção do empate contra a Suíça, em 2 a 2. Ele marcou na vitória de estreia, por 4 a 0, sobre o México, e em outra goleada, por 6 a 1, contra a Espanha, na semifinal.

Considerado um dos maiores meias da história do Palmeiras, segundo o site oficial do clube, Jair começou no Barra Mansa e também atuou por Vasco, Flamengo, São Paulo, Santos, entre outros clubes. Ele faleceu em 2005.

Edivaldo (Volta Redonda) - Copa de 1986

Edivaldo, nascido em Volta Redonda, foi companheiro de Zico na Copa de 1986 — Foto: Arquivo
Edivaldo, nascido em Volta Redonda, foi companheiro de Zico na Copa de 1986 — Foto: Arquivo

Pouco conhecido na cidade natal, Edivaldo foi muito jovem para Minas Gerais, onde iniciou a carreira profissional pelo Atlético-MG, em 1982. Ele também fez história pelo São Paulo. Com a camisa tricolor, conquistou dois títulos paulistas, em 1987 e 1989.

Querido por ninguém menos que Telê Santana, o atacante foi convocado para a Copa do México, em 1986, ao lado de nomes como Zico, Casagrande, Branco, Sócrates e Falcão.

Em uma seleção com o luxo de ter Zico no banco, em alguns jogos, ficou difícil para Edivaldo entrar em campo. Ele não disputou nenhuma partida na campanha que terminou com o Brasil eliminado pela França nas quartas de final.

O jogador também fez parte do time que ganhava manchetes fora de campo, principalmente por conta das namoradas famosas que teve na época, como Mariette, assistente de palco do programa do Gugu, e Ana Paula e Cíntia, filhas do cantor Roberto Carlos e Silvio Santos, respectivamente.

Edivaldo morreu aos 30 anos em acidente fatal na Rodovia Castelo Branco, no município paulista de Boituva, em 1993.

Felipe Melo (Volta Redonda) - Copa de 2010

Felipe Melo com a camisa da Seleção Brasileira — Foto: Getty Images
Felipe Melo com a camisa da Seleção Brasileira — Foto: Getty Images

O único dessa lista que ainda está em atividade. Felipe Melo nasceu em Volta Redonda e participou de escolinhas de futebol na cidade, quando criança. Mas foi no Flamengo que iniciou a carreira profissional, passando ainda por Cruzeiro e Grêmio antes de ser alçado à Europa.

Em 2010, foi convocado por Dunga para a Copa da África do Sul. Infelizmente, o desfecho não foi feliz. Felipe Melo virou um dos grandes alvos na eliminação para a Holanda e nunca mais vestiu a camisa da seleção.

No duelo das quartas de final, Felipe estava bem em campo e chegou a dar assistência para Robinho abrir o placar, mas vacilou no gol de empate após desentendimento com o goleiro Júlio César em cobrança de falta de Sneijder. Os holandeses viraram em seguida, o volante fez falta dura em Arjen Robben e acabou expulso, o que dificultou uma reação brasileira.

Felipe Melo seguiu empilhando títulos na carreira, principalmente no período que atuou pelo Palmeiras, de 2017 a 2021, onde se sagrou bicampeão da Libertadores e campeão brasileiro, da Copa do Brasil e do Paulista. Atualmente, ele defende o Fluminense.

Ramires (Barra do Piraí) - Copas de 2010 e 2014

Ramires brasil coletiva — Foto: Gaspar Nobrega / Vipcomm
Ramires brasil coletiva — Foto: Gaspar Nobrega / Vipcomm

O volante barrense começou a carreira profissional no Joinville, mas brilhou no futebol brasileiro pelo Cruzeiro, entre 2007 e 2009. As boas atuações pelo clube mineiro o colocaram no Benfica e na seleção de Dunga para a Copa da África do Sul, em 2010.

Com a amarelinha, não conseguiu se firmar como titular em meio a concorrência pesada, com nomes como Felipe Melo, Gilberto Silva e Elano no meio. Mesmo assim, entrou no segundo tempo nos três jogos da fase inicial e foi titular contra o Chile, nas oitavas. Na eliminação contra a Holanda, nas quartas de final, estava suspenso pelo segundo cartão amarelo.

Depois de 2010, continuou sendo convocado com Mano Menezes e foi levado por Felipão para a Copa de 2014. Na sua segunda participação em copas, entrou em todos os jogos e foi titular em dois: contra o México, na fase de grupos, e contra a Holanda, na disputa pelo terceiro lugar.

Ramires presenciou o traumático 7 a 1 contra a Alemanha em campo, entrando no segundo tempo, mas pouco pôde fazer – o jogo já estava 5 a 0 para os alemães.

Na "Era Tite", Ramires perdeu espaço e começou a sair dos holofotes do futebol em 2016, quando deixou o poderoso Chelsea para atuar no futebol chinês. Em 2019, o atleta retornou ao futebol brasileiro para atuar no Palmeiras, último clube que passou antes de anunciar a aposentadoria.