Em meio maior crise sanitária mundial, trabalhadores da limpeza de Paracambi recebem apenas luvas como EPIs. Mesmo faltando o básico a instituição está com um processo seletivo em andamento
Hoje, dia 16 de maio, é comemorado no Brasil o dia do gari, mas em Paracambi os trabalhadores desta área não tem muito o que comemorar. De acordo com denúncias feitas por funcionários da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Paracambi, quem trabalha na limpeza da cidade está sem as mínimas condições para o serviço, como por exemplo: sem receber uniforme, equipamentos de proteção individual, adicional noturno e folga.
As reclamações não param por aí, boa parte dos funcionários que integram a cooperativa não recebe nem 1 salário mínimo ao final dos descontos, mas em contrapartida chegam a trabalhar até 7 dias por semana. Além disso, não recebem nas ruas nenhum apoio quando há condições climáticas adversas.

Há cerca de 4 anos quem varria as ruas de Paracambi ganhou um GPS para monitorar o trajeto, que foi extinto graças a revolta de toda a população. Hoje quem recolhe o lixo pela cidade enfrenta um novo desafio, dos 4 caminhões compactadores, apenas 1 está funcionando.
Sendo assim os lixeiros são obrigados a trabalhar recolhendo o lixo em caminhões-caçamba tradicionais, que além de dificultar o serviço, ainda podem causar acidentes por não ter a adaptação necessária para a coleta.
Os funcionários entrevistados preferiram não se identificar, mas declararam que de acordo com seus superiores o que importa é o serviço realizado e que nenhum encarregado se importa se o trabalho põe ou não em risco a saúde ou até mesmo a vida dos seus subordinados. “Não temos direito a nada, só a trabalhar”, disse um deles.
No mês do trabalhador, a Comdep está comemorando 30 anos de existência em meio a um escândalo de trabalho análogo a escravidão. Com um orçamento de cerca de 24 milhões ao ano e diversas licitações para a realização de obras públicas, a Oligarquia Municipal de capital misto, não entrega o básico aos seus funcionários.
Sem esforço, é possível ver pela cidade trabalhadores da limpeza exercendo suas funções com roupas impróprias, sem máscara e na maioria das vezes, sem até mesmo o calçado adequado.
O que dizem os envolvidos:
A Prefeitura declarou que a instituição é uma empresa pública autônoma. Procurada, a Comdep argumentou que suas funcionalidades estão de acordo com a Lei Municipal 1219/2018.

O texto da lei não trata dos direitos básicos de seus funcionários, mas no parágrafo primeiro do artigo 30 fala diretamente que, “os empregados em comissão da COMDEP serão contratados mediante indicação do Chefe do Poder Executivo”, interligando assim diretamente prefeitura e a instituição.