Nesta quinta-feira, 21, é celebrado o “Dia de Combate à Intolerância Religiosa”. A data foi criada através do crescimento da discriminação religiosa no país e sancionada pela Lei nº 11.635, do Presidente Lula.
Apesar da constituição brasileira prever a liberdade de religião e um estado laico, infelizmente ocorrem ataques a diversas religiões em nosso país, principalmente as religiões de matrizes africanas.
A candomblecista Marluce Sanches, moradora de Paracambi, contou à equipe do Paracambi Notícia sobre o preconceito enfrentado pela religião. Os traços da fé é uma herança familiar, Marluce é neta da Iyalorixá Meninazinha d’Oxum, uma das precursoras do candomblé na baixada fluminense. “Quando me iniciei na religião, fiquei careca, precisei usar branco e deloguns, as pessoas apontavam na rua, saiam de perto falavam que eu estava doente ou maluca”, citou ela.
O preconceito contra as religiões de matrizes africanas é algo recorrente ao racismo religioso implantado no país desde o período do imperial. Recentemente, os terreiros de candomblé têm sido alvos de intolerantes religiosos, mesmo com leis que amparam a liberdade religiosa. “Não me sinto segura, nem meus irmãos, precisamos de representatividade nos locais e na política para lutar por nós”, afirmou Marluce.
Apenas no ano de 2020, o Instituto de Segurança Pública do Rio divulgou que o estado do RJ contabilizou 1.355 crimes em 2020 que podem estar relacionados à intolerância religiosa. Dados alarmantes que expõem a necessidade da informação e de datas como o dia de hoje. “Precisamos de muito mais que uma data, necessitamos de atitudes! Busquem o conhecimento, estudem e pratiquem a caridade”, completou ela.