Polícia Federal apreende 11 fuzis e prende dois suspeitos em Paracambi

Em uma operação deflagrada na manhã da última quarta-feira, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos de Paracambi, na Baixada Fluminense. A ação resultou na apreensão de 11 fuzis de grosso calibre, munições de diversos calibres e equipamentos de uso restrito, além da prisão em flagrante de dois suspeitos apontados como integrantes de uma célula de abastecimento de armas para facções criminosas. Cerca de 30 agentes da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Sistema Financeiro e ao Tráfico de Armas participaram da operação. A ação reforça o combate ao tráfico de armas que alimenta a criminalidade organizada em todo o estado do Rio de Janeiro.

Contexto: a segurança pública na Baixada Fluminense

A Baixada Fluminense é uma das regiões mais afetadas pela violência armada no estado do Rio de Janeiro. Com alta densidade populacional e presença consolidada de facções criminosas como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro, a região concentra grande parte dos homicídios e confrontos armados registrados no estado. Paracambi, município da Baixada com cerca de 50 mil habitantes, cortado pela RJ-127 e pelo ramal ferroviário da SuperVia, tem registrado nos últimos anos uma escalada de crimes relacionados ao tráfico de drogas e ao desvio de armas. A apreensão de 11 fuzis é especialmente relevante, pois esse tipo de armamento de alto poder de fogo é utilizado por criminosos para intimidar comunidades, dominar territórios e enfrentar as forças de segurança com vantagem tática. A presença de armas pesadas na região eleva o risco de confrontos e dificulta o trabalho de investigação, tornando operações como essa fundamentais para conter o avanço do crime organizado.

Como foi a operação

As investigações tiveram início há aproximadamente seis meses, quando a PF passou a monitorar uma célula suspeita de adquirir armas pesadas em estados vizinhos e revendê-las para facções na Baixada. Durante esse período, foram realizadas diligências de campo, interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça Federal, análise de dados bancários e de registros de viagens. Com base nesse trabalho de inteligência, a PF obteve mandados de busca e apreensão para endereços estratégicos em Paracambi — incluindo uma casa no bairro Jardim Nova Era e um galpão na área rural. No dia da operação, os agentes se dividiram em equipes para cumprir simultaneamente os mandados, minimizando o risco de vazamento e de fuga. Durante as buscas, os agentes localizaram 11 fuzis de diversos calibres — entre eles AR-15 e AK-47 — escondidos em compartimentos secretos, além de munições de grosso calibre, carregadores e equipamentos de uso restrito. Dois homens foram detidos em flagrante e encaminhados à Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro. A operação contou com o apoio de cães farejadores treinados para detectar explosivos e armas de fogo.

“Essa apreensão representa um duro golpe no poder bélico das organizações criminosas que atuam na Baixada Fluminense”, afirmou o delegado responsável pela operação.

Armas apreendidas: um arsenal de guerra

Os 11 fuzis apreendidos são de fabricação estrangeira, incluindo modelos de uso exclusivo das Forças Armadas brasileiras, o que indica que as armas teriam ingressado ilegalmente no país e seriam destinadas a facções criminosas de grande porte. Parte do arsenal estava em perfeito estado de conservação, algumas ainda com graxa de fábrica, prontas para serem utilizadas em ataques, roubos a bancos e confrontos com a polícia. A perícia técnica da PF realizará exames de microcomparação balística para verificar se alguma dessas armas foi usada em homicídios ou outros crimes violentos na região. Também serão analisados os números de série — que podem estar raspados — e a possível origem das armas, seja contrabando via fronteiras, desvio de arsenais militares ou roubo de cargas. A apreensão é considerada uma das maiores do ano na Baixada Fluminense e um duro golpe no poder bélico das organizações que atuam no estado. Além dos fuzis, foram apreendidas munições de calibre 9 mm, .40 e 7,62 mm, carregadores de alta capacidade e materiais para limpeza e manutenção das armas, o que sugere que o grupo mantinha o arsenal pronto para uso imediato.

Os suspeitos e as acusações

Os dois presos, cujos nomes não foram divulgados pela PF para não prejudicar as investigações, são apontados como integrantes de uma célula especializada no armazenamento e distribuição de armas para facções criminosas que atuam na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio. De acordo com a PF, eles são naturais de Paracambi e já possuíam passagens pela polícia por crimes patrimoniais. Foram autuados em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito (artigo 16 da Lei 10.826/2003), comércio ilegal de arma de fogo (artigo 17) e associação criminosa (artigo 288 do Código Penal). As penas somadas podem ultrapassar 14 anos de reclusão. A Justiça Federal converteu a prisão em flagrante em preventiva, destacando o risco à ordem pública e a necessidade de garantir a instrução criminal. Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça e, por meio de seus advogados, negam envolvimento com o armamento apreendido.

Repercussão na comunidade

Moradores de Paracambi relataram intenso movimento policial durante a manhã da operação, com viaturas descaracterizadas e agentes fortemente armados circulando por ruas dos bairros Jardim Nova Era, Loteamento Teresópolis e Centro. Não houve tiroteios ou feridos, o que foi visto com alívio pela população. Nas redes sociais, a ação foi amplamente elogiada — no Facebook da cidade e em grupos de WhatsApp, dezenas de moradores comentaram a importância de operações como essa para conter a criminalidade. Lideranças comunitárias destacaram a necessidade de ações constantes e não apenas esporádicas para reduzir a sensação de abandono e violência. A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa, bem como mapear toda a rota de abastecimento das armas e a origem do armamento. A expectativa é que novas fases da operação ocorram nas próximas semanas.

Pontos principais da operação

  • 11 fuzis apreendidos, incluindo modelos AR-15 e AK-47
  • Munições de diversos calibres (9 mm, .40, 7,62 mm) também localizadas
  • Dois suspeitos presos em flagrante
  • Cerca de 30 agentes da Polícia Federal mobilizados
  • Apoio de inteligência, cães farejadores e interceptações telefônicas
  • Armas destinadas a facções criminosas da Baixada Fluminense
  • Materiais para manutenção e limpeza de armas apreendidos
  • Investigação continua para apurar origem e outros envolvidos

Perguntas frequentes sobre a operação

O que é a Polícia Federal?

A Polícia Federal é uma instituição policial com atribuição de exercer a segurança pública em âmbito federal, atuando em crimes interestaduais e internacionais, como tráfico de armas, drogas, crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro.

Qual a pena para porte ilegal de fuzil?

O porte ilegal de arma de fogo de uso restrito pode gerar pena de 3 a 6 anos de reclusão, além de multa. Se associado a organização criminosa, a pena pode ser aumentada em até metade. No caso de comércio ilegal, as penas são mais severas, podendo chegar a 12 anos.

Como denunciar o tráfico de armas?

Denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque-Denúncia (181) ou diretamente à Polícia Federal pelo telefone (21) 2201-0000. A colaboração da população é essencial para o sucesso das investigações.

O que fazer ao presenciar uma operação policial?

Mantenha distância, não filme nem fotografe, e siga as orientações dos agentes. Não interfira nas ações e evite circular na área isolada. Em caso de dúvida, ligue para o 190.

O que significa “arma de uso restrito”?

São armas cujo calibre, potência ou capacidade de tiro as tornam próprias para uso exclusivo das Forças Armadas, polícias e entidades de segurança autorizadas. Exemplos incluem fuzis AR-15 e AK-47. O porte ou a posse por civil é crime grave, com penas elevadas e sem possibilidade de fiança.

Como a Polícia Federal combate o tráfico de armas no Brasil?

A PF atua em parceria com a Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e agências internacionais como a Interpol para rastrear o fluxo ilegal de armas. As investigações envolvem controle de exportação, fiscalização em portos e aeroportos, análise de documentação fiscal e operações específicas para desarticular redes de contrabando e desvio de arsenais.