Funcionários da saúde de Paracambi denunciam a falta de pagamento e de materiais

Os funcionários da saúde de Paracambi formalizaram uma denúncia contra a Prefeitura Municipal apontando atraso nos salários e escassez de materiais básicos para o atendimento. A situação, que se agravou nos últimos meses, coloca em risco a qualidade do serviço prestado à população e a segurança dos próprios profissionais.

Segundo relatos dos servidores, os salários de março e abril ainda não foram pagos integralmente. Além disso, há falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), luvas descartáveis, seringas, medicamentos básicos e até mesmo papel higiênico em algumas unidades. As condições foram consideradas insalubres e indignas para o trabalho em meio à pandemia de Covid-19.

A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Secretaria Municipal de Saúde. Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria não se pronunciou oficialmente. A categoria ameaça paralisar as atividades caso as reivindicações não sejam atendidas em curto prazo.

Contexto da crise na saúde municipal

Paracambi, como muitos municípios da Baixada Fluminense, enfrenta dificuldades financeiras históricas. A arrecadação municipal foi impactada pela queda na atividade econômica, e os repasses estaduais e federais para a saúde nem sempre chegam na totalidade. No entanto, os trabalhadores apontam que a gestão municipal não tem priorizado o setor.

De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Paracambi, a situação se arrasta desde o ano passado. “Já protocolamos ofícios, pedimos audiências, mas as promessas não saem do papel”, afirmou um representante da entidade. O sindicato está mobilizando uma assembleia para discutir possíveis medidas legais.

Reivindicações dos profissionais

O que diz a Prefeitura?

A Prefeitura de Paracambi, por meio de nota à imprensa, informou que está ciente das dificuldades e que está tomando providências para regularizar os pagamentos gradativamente. Sobre os materiais, afirmou que um novo lote de suprimentos foi adquirido e está sendo distribuído. A categoria, no entanto, classificou a resposta como “insuficiente” e “sem prazo concreto”.

O secretário municipal de Saúde, em entrevista à Rádio Paracambi FM, disse que a situação é reflexo da crise financeira nacional e que a pasta está enxugando gastos. “Estamos fazendo o possível com o orçamento que temos”, declarou. Os profissionais rebatem: “O possível não é suficiente para quem está na linha de frente”.

Impacto na população

Moradores de bairros como Lages, Sabugo e Centro relatam que consultas estão sendo remarcadas com frequência e que o atendimento de emergência no Hospital Municipal está mais demorado. “Fiquei duas horas esperando por uma seringa para aplicar insulina”, conta dona Maria, que prefere não se identificar. A falta de médicos especialistas também é uma queixa constante.

A Defensoria Pública do Estado do Rio informou que está acompanhando o caso e pode ingressar com uma ação civil pública se não houver avanço.

Perguntas frequentes sobre o caso

Os desdobramentos desse caso serão acompanhados pelo Paracambi Notícia. Acompanhe nossas atualizações na categoria Saúde e nas redes sociais.

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