Feminicídio choca Paracambi e população se mobiliza em protesto contra violência de gênero

Um crime brutal de feminicídio abalou a cidade de Paracambi, na Baixada Fluminense, na última semana. Uma mulher jovem foi morta a facadas pelo ex-companheiro dentro da própria residência, no bairro Centro. O caso rapidamente gerou comoção e revolta entre os moradores, que se organizaram em um protesto contra a violência de gênero realizado na tarde de ontem em frente à Prefeitura.

De acordo com informações preliminares da Polícia Militar, o suspeito invadiu a casa da vítima durante a madrugada e desferiu múltiplos golpes de faca. A mulher chegou a ser socorrida por vizinhos, mas não resistiu aos ferimentos. O agressor foi preso em flagrante por policiais militares que atendiam a ocorrência e encaminhado à 92ª Delegacia de Polícia de Paracambi, onde permanece à disposição da Justiça.

A vítima, que tinha 28 anos e trabalhava como auxiliar de serviços gerais, havia registrado queixas anteriores contra o ex-companheiro na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) da região. Medidas protetivas haviam sido solicitadas, mas ainda não haviam sido efetivamente implementadas. A informação foi confirmada por fontes ligadas à investigação, que preferiram não se identificar.

Mobilização popular

Após a notícia do feminicídio se espalhar pelas redes sociais, um grupo de moradoras e moradores convocou um ato público para denunciar a violência doméstica e cobrar das autoridades ações mais efetivas de proteção às mulheres. A manifestação reuniu cerca de 200 pessoas na Praça Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade, com cartazes e gritos de “Chega de feminicídio” e “Mulher não é propriedade de homem”.

“Estamos cansadas de ver mulheres morrendo nas mãos de parceiros e ex-parceiros. A cada sete horas uma mulher é assassinada no Brasil simplesmente por ser mulher. Paracambi não pode ficar de fora dessa luta”, discursou uma das organizadoras do protesto, que não quis ter o nome divulgado por questões de segurança.

A manifestação seguiu pacificamente até a sede da Prefeitura, onde uma comissão de participantes foi recebida por representantes do Executivo municipal. Foram entregues um abaixo-assinado e uma lista de reivindicações, incluindo a criação de uma casa de acolhimento para mulheres em situação de risco e a ampliação das campanhas educativas nas escolas.

Resposta das autoridades

Em nota, a Prefeitura de Paracambi manifestou “profundo pesar pelo ocorrido” e afirmou que está em tratativas com o Governo do Estado para instalar uma unidade da Casa da Mulher Brasileira no município. A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que já oferece acompanhamento psicológico e jurídico para vítimas de violência, mas reconheceu a necessidade de fortalecer a rede de proteção.

A 92ª DP informou que o inquérito policial já foi instaurado e que o suspeito responderá por feminicídio, crime hediondo previsto no artigo 121 do Código Penal. A polícia também vai investigar possíveis falhas no cumprimento das medidas protetivas que haviam sido concedidas à vítima.

Contexto nacional

O feminicídio é a terceira principal causa de morte de mulheres no Brasil, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2020, o país registrou uma média de uma morte por violência doméstica a cada sete horas, número que se mantém alarmante apesar da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e da Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015).

Especialistas apontam que a subnotificação de casos e a demora na aplicação de medidas protetivas contribuem para a perpetuação do ciclo de violência. Em Paracambi, o movimento de mulheres promete realizar novas ações nas próximas semanas para pressionar o poder público e manter o debate aceso na sociedade.

Serviços de apoio

Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda através do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), que funciona 24 horas, ou dirigir-se à Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) mais próxima. Em Paracambi, a Delegacia fica na Rua da Assembleia, s/n, no Centro. O sigilo e o acolhimento são garantidos.

A população de Paracambi segue mobilizada, e o protesto desta semana marca o início de uma série de ações que visam transformar a dor em luta por justiça e por um futuro sem violência de gênero.