Supervia admite risco de falência à Justiça, que dá 5 dias para Cláudio Castro esclarecer situação de recuperação judicial da empresa

A Supervia, concessionária responsável pelo transporte ferroviário de passageiros no Rio de Janeiro, admitiu formalmente à Justiça o risco de falência durante o processo de recuperação judicial. A informação consta em documentos apresentados pela empresa à 4ª Vara Empresarial da Capital, que determinou um prazo de cinco dias para que o governador Cláudio Castro preste esclarecimentos sobre a situação financeira da companhia.

O pedido de recuperação judicial foi protocolado em 2021, mas a crise se agravou com os impactos da pandemia de Covid-19 e o alto endividamento. A Supervia alega que, sem uma solução urgente do poder público, não conseguirá manter as operações do ramal que atende a Baixada Fluminense e a capital.

O que está em jogo

A recuperação judicial visa renegociar dívidas e evitar a falência. No entanto, a Supervia afirma que o déficit operacional acumulado e a falta de investimentos do Estado inviabilizam o plano de recuperação. A empresa pede que o governo fluminense se posicione sobre a possibilidade de assumir o controle ou conceder subsídios emergenciais.

Caso a falência seja decretada, mais de 200 mil passageiros que utilizam diariamente o sistema podem ficar sem o serviço. O ramal de Paracambi, em particular, já sofre com atrasos frequentes e manutenção precária, e a interrupção afetaria diretamente a rotina de milhares de moradores da região.

Reação do governo

O governador Cláudio Castro ainda não se manifestou oficialmente sobre o prazo dado pela Justiça. A Secretaria de Estado de Transportes informou que acompanha o caso e que estuda alternativas para garantir a continuidade do serviço. A expectativa é que o governo apresente uma proposta de intervenção ou de nova concessão nos próximos dias.

Especialistas apontam que a judicialização do contrato de concessão pode abrir precedentes para a reestatização do serviço, que está sob concessão privada desde a década de 1990. Entidades de defesa dos usuários cobram transparência e participação nas negociações.

Impacto para Paracambi e região

Paracambi é um dos municípios mais afetados pela crise da Supervia, pois depende quase exclusivamente do trem para acesso à capital. Moradores relatam aumento no tempo de viagem, superlotação e falta de previsibilidade nos horários. A Câmara Municipal já aprovou moção de apoio à recuperação da empresa, mas cobra transparência nas negociações.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também acompanha o processo e pode ingressar com ação civil pública caso haja risco de descontinuidade do serviço. A situação da Supervia reflete o cenário de deterioração dos transportes públicos no estado, que enfrenta sucessivas crises financeiras e de gestão.

Aguardam-se os próximos capítulos desse processo, que pode definir o futuro da mobilidade urbana na Baixada Fluminense e no Rio de Janeiro.