Retiradas da poupança superaram as aplicações em abril

Caderneta de poupança

O saldo da caderneta de poupança registrou retiradas líquidas de R$ 6,205 bilhões em abril, superando as aplicações no período. Segundo dados do Banco Central, os depositantes aplicaram R$ 23,829 bilhões e sacaram R$ 30,034 bilhões no mês passado, resultando em um saque líquido de R$ 6,205 bilhões. Este é o pior resultado para meses de abril desde o início da série histórica, em 1995. A fuga de recursos acontece em meio ao aumento da inflação e à alta da taxa básica de juros, a Selic, que torna outros investimentos, como os títulos públicos, mais atrativos. Com a inflação elevada, o rendimento da poupança, que é de 0,5% ao mês, se torna negativo em termos reais, incentivando os investidores a buscar alternativas mais rentáveis. A expectativa do mercado é que o movimento de saques continue nos próximos meses.

A pandemia de covid-19 também contribuiu para o resultado, já que muitas famílias recorreram às economias para enfrentar a crise. O governo federal autorizou saques emergenciais do FGTS e permitiu a suspensão do pagamento de parcelas de financiamentos imobiliários, mas a poupança ainda é a principal reserva de emergência dos brasileiros. O cenário de incertezas econômicas e políticas também pesou na decisão dos investidores, que preferiram manter o dinheiro em aplicações de liquidez imediata.