O mundo passa por um momento caótico, a pandemia do novo coronavírus ganhou uma escala global. Só no Brasil o número de contaminados no momento ultrapassa a marca de 2 milhões, de acordo com os dados do Ministério da Saúde e ainda não existe uma vacina que tenha eficácia comprovada disponível, por isso, o isolamento social é tão importante para a contenção da Covid-19 que pode ser letal para a vida de muitos. Em Paracambi, tivemos a confirmação do primeiro caso dia 8 de abril, desde então o número de notificações de casos tem crescido no município. Hoje os números são de 491 infectados, 411 recuperados, 56 em tratamento e 24 óbitos, segundo a Secretária Municipal de Saúde de Paracambi.
Apesar do grande número de infectados o panorama de recuperações é positivo, a maioria das pessoas que tiveram que lidar com a doença conseguiram se recuperar. Os fatores de risco também são um agravante, as mulheres grávidas estão entre o grupo mais vulnerável da Covid-19, nesse momento tão bonito da vida de uma mulher, ter que lidar com uma crise mundial de saúde não é fácil. É o caso da dona de casa Munique Coelho, 38, que apresentou os primeiros sintomas no fim da sua gravidez, mas foram confundidos com sinais da gestação, cerca de sete dias após o nascimento do seu bebê os sintomas foram piorando, testou positivo para o coronavírus quando seu pulmão já estava 70% comprometido e ficou internada no Hospital Municipal Adalberto da Graça, mais conhecido como Hospital de Lages, em Paracambi.
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Munique na saída do hospital
Arquivo pessoal foto/divulgação -
Faixa erguida em homenagem a Munique
Arquivo pessoal foto/divulgação
Após uma parada cardíaca, foi transferida para Hospital Universitário de Vassouras e lá ficou 30 dias entubada em estado gravíssimo e precisou fazer transfusões de sangue e hemodiálise. O recém nascido, seus dois filhos mais velhos e outros familiares, que ficaram cuidando das crianças, também testaram positivo para Covid-19. “Eu só saía para fazer o pré-natal, tive todos os cuidados e peguei, as pessoas abusam e precisam entender que isso não é brincadeira”, declara ela. Munique, já se recupera em casa e para superar esse desafio em sua vida pode contar com a oração dos seus amigos e entes queridos.
Entretanto, há outros casos, Guaraci Antônio Leite Filho, 59, morador de Lages, carinhosamente conhecido como Cica, que recebeu o diagnóstico positivo no Hospital de Lages, no início de maio, dez dias após sentir os primeiros sintomas e logo foi transferido para o Hospital Zilda Arns em Volta Redonda, referência no tratamento de Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro. Em meio ao caos, as equipes dos hospitais foram o suporte que Cica melhor pode contar. “Um agradecimento especial às enfermeiras e o pessoal da ambulância, fui muito bem cuidado pelos hospitais que passei, graças a eles, hoje estou com minha família”, relata ele.
Após receber alta, foi constatado que seu pulmão tinha sido 50% comprometido por sequelas da Covid-19 e precisou buscar mais um tratamento especializado, em Paracambi só conseguiria marcar a consulta com o pneumologista para 17 dias depois, por isso, teve que procurar tratamento em Nova Iguaçu. Desde então está em de quarentena e se recuperando, tomou os medicamentos para se recuperar das sequelas que o vírus deixou, por mais de 60 dias. Passou um trauma mas acredita na cura, mediante ao tratamento. “Peço que as pessoas se cuidem para evitar e que levem isso a sério, ainda vejo muita gente andando na rua sem máscara e saindo sem necessidade”, diz ele.
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Guaraci na saída do hospital
Arquivo pessoal foto/divulgação -
Guaraci chegando em casa após receber alta
Arquivo pessoal foto/divulgação
Um olhar de dentro, lutando e vencendo a Covid-19
Os profissionais da linha de frente contra o coronavírus são um verdadeiro exemplo de coragem e dedicação, nesse momento de crise que estamos passando arriscam suas vidas em prol de outras pessoas e ficam expostos. Um desses casos é da técnica de enfermagem Beatriz Pereira Faber, 21, moradora do Bairro Amapá, que foi infectada trabalhando no Hospital de Lages. “Quando os sintomas começam a aparecer, tudo complica, porque além deles, bate um desespero por ser um vírus novo e de uma enorme agressividade, então a gente não tem certeza sobre como nosso organismo irá reagir”, relata ela. No caso de Bia, o teste rápido para Covid-19, deu negativo, mas uma tomografia realizada no mesmo dia mostrou que 20% do pulmão já havia sido afetado pelo vírus, como consta no laudo.
Beatriz apresentou sintomas leves e não precisou ficar internada, passou 14 dias em isolamento domiciliar, como o indicado para esses casos, 3 dias após o início dos seus sintomas, seu pai também testou positivo para Covid-19. No final do isolamento retornou ao trabalho, mas como os testes rápidos realizados não confirmaram sua infecção, tem que conviver com o medo de ser novamente infectada. “O vírus é invisível e nos atinge quando menos esperamos. Voltei a trabalhar mais sensível aos cuidados com os pacientes, por saber que são momentos ruins até mesmo de solidão, e tento passar a tranquilidade que tudo ficará bem”, diz ela. Como profissional de saúde o desejo da técnica de enfermagem e que as pessoas realmente respeitem a quarentena, para que essa epidemia possa ser controlada.
Arquivo pessoal foto/divulgação
O Paracambi Notícia presta condolências às famílias que perderam seus entes queridos, deseja força aos que ainda estão enfrentando o coronavírus e reforça a necessidade de manter um isolamento social, quem puder fique em casa. A todos, usem máscara, álcool em gel, lavem as mãos e mantenha o distanciamento social, juntos é possível superar a Covid-19.
Vídeos recebidos das redes sociais. Momento do retorno ao lar daqueles que tiveram que lutar contra o coronavírus.