O Hospital Municipal de Paracambi, única porta de urgência pública da cidade, enfrenta uma situação preocupante. Pacientes, familiares e funcionários denunciam a degradação das instalações, a falta de insumos básicos e o número insuficiente de médicos. A reportagem percorreu a unidade e ouviu relatos que revelam um cenário de abandono.

Localizado no centro da cidade, o hospital deveria atender uma população de cerca de 50 mil habitantes, mas a infraestrutura já não comporta a demanda. As reclamações se avolumaram nos últimos meses e ganharam as redes sociais, com moradores pedindo providências urgentes ao poder público.

Infraestrutura em estado crítico

O prédio, construído há décadas, apresenta problemas estruturais graves. Infiltrações são visíveis em diversos setores, paredes com mofo, janelas quebradas e banheiros interditados por falta de manutenção. A sala de espera, apertada e sem ventilação adequada, vive lotada. Pacientes relatam que cadeiras são insuficientes e muitos aguardam em pé.

No setor de internação, os leitos estão em sua maioria ocupados. Equipamentos como bombas de infusão e monitores cardíacos apresentam defeitos com frequência. A falta de macas e cadeiras de rodas é constante, e funcionários improvisam com materiais precários.

Escassez de profissionais e insumos

A carência de recursos humanos é um dos gargalos mais graves. Segundo servidores ouvidos pela reportagem, o plantão noturno muitas vezes conta com apenas um clínico geral para atender toda a demanda. Não há pediatra 24 horas, e especialistas como ortopedista e cardiologista são raros.

Além disso, a farmácia do hospital enfrenta desabastecimento crônico. Medicamentos básicos como dipirona, soro fisiológico e antibióticos frequentemente faltam. Pacientes precisam comprar por conta própria ou recorrer a unidades de saúde de outras cidades.

“Já vi mãe com criança febril esperando mais de seis horas por um médico. Quando consegue ser atendida, descobre que o remédio receitado não tem na farmácia. É uma humilhação”, desabafa um funcionário que pediu anonimato.

Sofrimento da população

Os reflexos na comunidade são profundos. Moradores contam que deixaram de procurar o hospital por medo de não serem atendidos ou de pegar infecções hospitalares. Casos de pacientes que aguardam horas numa maca no corredor são corriqueiros.

Dona Maria Aparecida, moradora do bairro Laranjal, relatou à reportagem que levou o marido com suspeita de infarto e esperou mais de duas horas apenas para ser avaliado. “Graças a Deus ele não era nada grave, mas se fosse? Perde tempo precioso. Falta estrutura, falta respeito”, afirmou.

Quando não há vagas ou condições de atendimento, a regulação municipal transfere os pacientes para hospitais de Seropédica, Itaguaí ou até mesmo para a capital. A viagem, além de desgastante, representa um custo extra para famílias de baixa renda.

O poder público e as promessas não cumpridas

A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada para comentar as denúncias, mas não respondeu até o fechamento desta edição. Em notas anteriores divulgadas no site da prefeitura, a administração reconheceu as dificuldades e anunciou planos de reforma e contratação de pessoal. No entanto, até o momento as melhorias não saíram do papel.

Vereadores da oposição cobram CPI para investigar a gestão do hospital. O Conselho Municipal de Saúde já realizou visitas técnicas e elaborou relatórios apontando dezenas de irregularidades, mas as soluções andam a passos lentos.

Mobilização da comunidade e possíveis caminhos

A população não tem ficado passiva. Associações de moradores e grupos de WhatsApp organizam abaixo-assinados e protestos pacíficos em frente à prefeitura. Nas redes sociais, a hashtag #SalveOHospitalParacambi ganhou força.

Especialistas em gestão pública ouvidos pela reportagem apontam que a recuperação do hospital passa por três eixos: recomposição do quadro de pessoal (com concursos públicos), reforma estrutural urgente e garantia de insumos por meio de compras centralizadas e maior fiscalização.


Perguntas frequentes sobre o Hospital Municipal de Paracambi

O hospital está fechado?

Não. O Hospital Municipal de Paracambi continua em funcionamento, mas com sérias limitações. O atendimento de urgência e emergência é mantido, porém a capacidade de internação e a oferta de exames complementares estão reduzidas. A unidade não está fechada, mas opera de forma precária.

Para onde os pacientes são encaminhados quando não há vagas?

Pacientes que necessitam de internação ou procedimentos especializados são regulados para hospitais de referência em Seropédica, Itaguaí e Rio de Janeiro, conforme a complexidade do caso e a disponibilidade de vagas na rede estadual.

Como denunciar as más condições de atendimento?

As denúncias podem ser feitas na Ouvidoria Municipal de Paracambi, no Conselho Municipal de Saúde ou junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Também é possível registrar queixa no site da Secretaria Estadual de Saúde.

Há previsão de reforma ou melhoria?

A prefeitura já anunciou intenção de realizar reformas, mas até o momento não apresentou cronograma concreto. A comunidade e os vereadores cobram agilidade e transparência. Qualquer novidade será divulgada pela imprensa local.